Num auditório pequeno, aumentar o volume costuma resolver. Acima de certo número de lugares, aumentar o volume piora: o som chega mais forte e continua incompreensível, porque o problema deixou de ser intensidade e passou a ser inteligibilidade.
Em resumo: inteligibilidade é a proporção entre a voz direta que chega ao ouvinte e tudo o que chega junto: reflexões da própria sala e ruído de fundo. Num auditório grande, a plateia do fundo recebe menos voz direta e a mesma quantidade de reflexão, e é por isso que ela entende menos mesmo ouvindo alto.
Por que a distância muda a natureza do problema
A voz direta enfraquece conforme se afasta da caixa acústica. As reflexões, não: elas preenchem o ambiente de forma mais uniforme. Existe uma distância a partir da qual o ouvinte passa a receber mais som refletido do que direto, e dali em diante subir o volume amplifica os dois na mesma medida.
Numa sala de cem lugares essa distância costuma cair dentro da plateia, e não depois dela. Por isso o auditório grande não é o pequeno com mais cadeiras.
O que o ambiente devolve
Superfície dura devolve som com atraso. Num auditório, as superfícies grandes são as que mais pesam:
- Parede de fundo lisa, que devolve a voz direto ao palco
- Teto alto sem qualquer absorção, que alonga a cauda do som
- Piso duro e vidro lateral, que somam reflexões curtas
- Plateia vazia, que absorve muito menos que a plateia ocupada
A última linha explica um caso comum: a sala passa no teste durante a montagem e falha na primeira palestra, ou o contrário. Medir a sala ocupada é o único cenário que interessa.
Um par de caixas na frente resolve até onde?
Um par de caixas na frente atende bem enquanto a plateia estiver dentro de um ângulo e de uma distância razoáveis. Acima disso, quem está nas laterais e no fundo passa a ouvir sobras.
A saída é distribuir a cobertura, com caixas dimensionadas para trechos da plateia, ajustadas para que a voz chegue a cada setor com a mesma qualidade e sem que um setor escute o som do outro fora de tempo.
O que o projeto define antes de comprar equipamento
- Medida real da sala, com pé-direito, largura e profundidade da plateia
- Superfícies existentes e o que pode ser tratado sem mudar a arquitetura
- Ruído de fundo com o ar-condicionado ligado, que é como a sala opera
- Divisão da plateia em setores de cobertura
- Microfonia de palco e microfonia de público, que são problemas distintos
- Posição do operador, com visão do palco e do retorno
A microfonia de público costuma ser esquecida e é a que decide se a sessão de perguntas funciona.
Num auditório, som alto é fácil. Som que a última fileira entende sem esforço é projeto.
Ganho antes da realimentação
Quanto maior a sala e mais microfones abertos, menor a margem antes de o sistema realimentar. Cada microfone aberto reduz essa margem, e é por isso que auditório com muitos pontos de fala exige mixagem automática e disciplina de operação.
Os valores praticáveis dependem do ambiente e do equipamento definido em projeto, e é por isso que eles saem da medição da sala, e não de uma faixa publicada.
O sintoma que denuncia o subdimensionamento
Quando a plateia do fundo se inclina para a frente, quando o palestrante pergunta "vocês estão me ouvindo" no meio da fala, ou quando a sessão de perguntas vira um exercício de repetir a pergunta ao microfone, a sala está entregando volume e não está entregando inteligibilidade.



