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O que muda no áudio quando o auditório passa de cem lugares

Acima de certo tamanho, o problema deixa de ser volume e passa a ser inteligibilidade. O que isso exige do projeto.

AuditóriosPor Equipe Cinemma®12 de setembro de 20263 min de leitura
Tela de apresentação em painel ripado de madeira, com mesa de trabalho à frente.

Num auditório pequeno, aumentar o volume costuma resolver. Acima de certo número de lugares, aumentar o volume piora: o som chega mais forte e continua incompreensível, porque o problema deixou de ser intensidade e passou a ser inteligibilidade.

Em resumo: inteligibilidade é a proporção entre a voz direta que chega ao ouvinte e tudo o que chega junto: reflexões da própria sala e ruído de fundo. Num auditório grande, a plateia do fundo recebe menos voz direta e a mesma quantidade de reflexão, e é por isso que ela entende menos mesmo ouvindo alto.

Por que a distância muda a natureza do problema

A voz direta enfraquece conforme se afasta da caixa acústica. As reflexões, não: elas preenchem o ambiente de forma mais uniforme. Existe uma distância a partir da qual o ouvinte passa a receber mais som refletido do que direto, e dali em diante subir o volume amplifica os dois na mesma medida.

Numa sala de cem lugares essa distância costuma cair dentro da plateia, e não depois dela. Por isso o auditório grande não é o pequeno com mais cadeiras.

O que o ambiente devolve

Superfície dura devolve som com atraso. Num auditório, as superfícies grandes são as que mais pesam:

A última linha explica um caso comum: a sala passa no teste durante a montagem e falha na primeira palestra, ou o contrário. Medir a sala ocupada é o único cenário que interessa.

Um par de caixas na frente resolve até onde?

Um par de caixas na frente atende bem enquanto a plateia estiver dentro de um ângulo e de uma distância razoáveis. Acima disso, quem está nas laterais e no fundo passa a ouvir sobras.

A saída é distribuir a cobertura, com caixas dimensionadas para trechos da plateia, ajustadas para que a voz chegue a cada setor com a mesma qualidade e sem que um setor escute o som do outro fora de tempo.

O que o projeto define antes de comprar equipamento

A microfonia de público costuma ser esquecida e é a que decide se a sessão de perguntas funciona.

Num auditório, som alto é fácil. Som que a última fileira entende sem esforço é projeto.

Ganho antes da realimentação

Quanto maior a sala e mais microfones abertos, menor a margem antes de o sistema realimentar. Cada microfone aberto reduz essa margem, e é por isso que auditório com muitos pontos de fala exige mixagem automática e disciplina de operação.

Os valores praticáveis dependem do ambiente e do equipamento definido em projeto, e é por isso que eles saem da medição da sala, e não de uma faixa publicada.

O sintoma que denuncia o subdimensionamento

Quando a plateia do fundo se inclina para a frente, quando o palestrante pergunta "vocês estão me ouvindo" no meio da fala, ou quando a sessão de perguntas vira um exercício de repetir a pergunta ao microfone, a sala está entregando volume e não está entregando inteligibilidade.

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